24/06/2010



estou com problemas técnicos. Não consigo postar novos artigos, mas apenas editar o último públicado no dia 24 de junho.

Decidi, no entanto, não excluir este blog, o manterei aqui, mas criei um outro endereço.

Manterei a mesma linha de publicação. Artigos escritos por mim e publicação de artigos e pregações de pregadores do evangelho de Cristo.

Não é um blog novo, é apenas um upgrade.


Agradeço a visita e espero que gostem do "novo" blog.

Soli Deo Gloria

18/06/2010

“Quando, portanto, a Razão louva a Deus por salvar os indignos, mas censura-o por condenar os indignos, ela torna-se culpada porque não louva a Deus como Deus, mas serve aos seu próprios interesses”.

Rupp e Watson

17/06/2010

Se um dia você desejar uma viva disputa entre cristãos, permita-me oferecer-lhe uma sugestão: pronuncie uma só palavra: "Predestinação"!

A controvérsia que existe quanto à predestinação não se encontra na falta de evidências bíblicas. É inevitável que seja controversa, qualquer coisa que desafie a independência humana, seu orgulho e a supremacia da sua vontade.

Na realidade, a predestinação é quatro vezes mais fácil de ser comprovada do que a divindade de Jesus. No Novo Testamento há mais ou menos 10 versículos que expressam diretamente a Deidade de Cristo. Porém, mais de quarenta expressam a predestinação. No Entanto, os mesmos cristãos dispostos a defender até a morte a Deidade de Cristo, lutarão com igual fúria para refutar a doutrina da Predestinação. Por que? Como expressou um erudito evangélico, J.I.Packer, "...a mente carnal do homem, incluída entre os salvos, não suporta abandonar a ilusão de que ela mesma é a capitã de seu próprio destino e dona de sua própria alma".

Frank Melo
(http://www.monergismo.com/textos/eleicao/apontamentos_eleicao.htm)

16/06/2010

Não somos pecadores apenas por escolha, mas por natureza. Não nascemos como se fôssemos uma tábua rasa, ou uma folha em branco, nem numa zona neutra, mas como inimigos de Deus, sendo “por natureza, filhos da ira” (Ef 2.3). Nós não fazemos o mal meramente, nós somos maus. Não somente caímos, somos decaídos. Não somente nos perdemos, estamos perdidos. Pecamos porque a nossa natureza é pecar, somos escravos, pois o Senhor disse: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). Não conseguimos abandonar o pecado quando queremos. Na verdade, nem queremos. Podemos até controlar algumas atitudes pecarninosas, mas não podemos deixar de ser pecadores.

Por Leandro Antonio de Lima. Livro: Razão da esperança, Cultura Cristã, p. 204-5.

Extraído do bog: Voltemos ao Evangelho

27/05/2010

eu penso que... eu acho que...

Uma das introduções a "estudos teológicos de banco de igreja" mais comuns que costumo ouvir no meio evagelico é "eu penso que" ou sua variante irresoluta "eu acho que". Trata-se de um grave sintoma de distanciamento da Palavra e pode indicar ali um forte candidato as mais estapafúrdias crendices e práticas sincréticas dentro da igreja.

Obviamente, lendo a Palavra de Deus, vemos o apóstolo Paulo em várias ocasiões fazer o uso do "penso que". No entanto não é deste uso a que estou me referindo, mas sim daquele que contraria a Palavra de Deus dando às minhas palavras os mesmo poder contido naquelas palavras de Poder. Pensar não é o problema. E como "eu penso", pensar é um dom de Deus, pouco utilizado e desenvolvido no nosso meio é verdade.

O apóstolo Pedro escreveu fundamentado não em sua sabedoria, mas naquela advinda do alto o seguinte:

"Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do Senhor permanece para sempre." (1 Pe 1.24-25)

O apóstolo Pedro não temia que suas palavras não chegassem ao destino, pois sabia que toda sua eloqüência assim como sua carne eram semelhantes a erva, temporais. O que permaneceria seria a Palavra de Deus, pois Ele não muda, é eterno (Tg 1.17).

O que aconteceu é que a experiência pessoal extra-bíblica tornou-se o norte do "crentinismo"  contemporâneo. Servir e seguir os prórios pensamentos e achismos, ser guiado pelas próprias verdades eivadas dos vícios mundanos que trazem consigo quando supostamente aceitam a Cristo e o novo "rosa" da moda cristã.

A Bíblia é para estes um livro que afasta-se da realidade e é impraticável no cotidiano. Contudo, fazer tal afirmação, mesmo para estes incircuncisos, é o mesmo que "blasfemar" contra o Espírito, então, substituem a assertiva para: A Bíblia é de difícil compreensão.

Mentira. E como todo praticante da mentira sois filhos de satanás a quem procurais agradar, procurando agradarem sempre a si mesmos. (Jo 8.44)

Acontece que a Palavra de Deus não é de difícil interpretação. Pelo menos não para os verdadeiramente salvos. Pedro não era nenhum homem versado em palavra. Tiago, João, Judas... nenhum deles possuia estudos avançados... quanto a Paulo, ele mesmo afirma que suas palavras não firmavam-se em sabedoria humana, mas no Poder de Deus (1 Co 2.1-5).

Ao dizer o que eu "acho", ou o que eu "penso", exponho minha fraqueza, minha incredulidade, minha falta de fé... pois não confio plenamente na Palavra de Deus para dizer: A Palavra afirma o seguinte... pois estes que freqüentemente fazem uso dessas expressões não conseguem ver na Bíblia uma afirmação, um lugar sólido para construir a sua vida. Ela pode ser todo o resto, de livro de receitas mágicas a enciclopédia histórica do povo israelita.

Aqueles que negligenciam a leitura da Palavra de Deus procuram esquivar-se da prática advinda de sua leitura. Como se fosse possível, tentam enganar a morte. Entendem tão somente a Bíblia como fonte de "acusação" ou "absolvição", não conseguem compreender que ela é as duas coisas. Por meio dela vejo minha condição e em suas palavras tenho a redenção (Jo 5.39). ela é fonte de vida não de morte... o que é incompreensível para aqueles que ainda não morreram pois acreditam estarem vivos. Na verdade alguns acreditam até mesmo serem eternos.

A compreensão da Palavra de Deus passa pela cruz, passa pela morte e ressurreição. E isso não é algo que eu pense ou acredite... Essa é a Palavra de Deus. Loucura para os que se perdem... mas só para os que se perdem.

Daniel Clós Cesar

18/05/2010

esta bola é minha!

"E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo."  (Fp 3.8)

Apóstolo Paulo em carta a Igreja em Filipos

Tento sempre pensar em Paulo enquanto escrevia nesta mesma carta aos irmãos que congregavam em Filipos: "...eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente" (Fp 2.16). É isso que me leva a escrever. Não minha esperança no mundo... ou na igreja institucionalizada. Mas que em nada serei envergonhado, pois prego a Palavra de Deus, ainda que ela seja apenas uma folhinha que sai da terra e  ainda não tenha se feito uma árvore em minha vida.

Deus já havia levado tudo de Paulo. Ele sentia isso em seu íntimo e nas marcas que levava consigo, apesar de não considerar ter alcançado a perfeição (Fp 3.12), tinha certeza do caminho de novidade espiritual em que vivia.

Na minha ainda pequena experiência como escravo do amor de Deus tenho percebido, assim como apóstolo Paulo entendeu e nele me espelho, Eu fui conquistado por Cristo Jesus! (Fp 3.12)  Não o contrário.

Quero introduzir aqui um trecho de uma música da banda estadunidense Third Day, escrita por Mark Lee, baterista da banda, que diz mais ou menos o seguinte (tradução minha):

"Leve tudo pois não suporto mais, 
Tudo o que tenho... 
Leve o primeiro, leve o último, 
Leve o bom, leve o resto... 
Tudo o que tenho, 
Leve tudo".

Resistir à Salvação tem sido a mais depravada atitude dos nominalmente cristãos. Ainda que afirmem serem salvos, são no entanto rebeldes e revoltados contra o Senhor. Não desejam a Salvação tal qual é proposta por Cristo,  mas sim como ela é proposta por satanás.

Ainda tomados de uma mente degenerada que em nada se parece com a mente de alguém que teve seu interior transformado pela atuação regeneradora do Espírito Santo, têm seus planos, sonhos, alvos e propósitos como superiores ao conhecimento de Cristo... superiores ao Ganhar a Cristo. Mais triste ainda, tais blasfemos tem o mundo como um lar, quando a Palavra afirma que não passamos de estrangeiros nessa terra (Fp 3.20).

Paulo abriu mão de sua posição social, seus títulos e toda sua promissora carreira político-eclesiástica por algo muito maior, algo que ele considerou sua verdadeira vocação... soberana vocação (Fp 3.14). Por isto ele abriu mão de sua própria vida (Fp 1.21). Ao mesmo tempo vejo pessoas que confessam o mesmo Cristo de Paulo, mas não o desejam da mesma forma. Querem casar antes da volta de Cristo (leia-se fazer sexo sem sentir culpa), querem ter uma casa própria antes da Sua volta... alguns ousam orar para que Deus retarde a volta do Filho... pois ainda não são plenamente alegres e satisfeitos. O mundo ainda não lhes deu tudo... eles ainda merecem um pouco mais, pois este mundo lhes deve alguma coisa em troca de suas dores e lutas.

Pobres imundos! Trocam migalhas corrompidas pela Glória do Todo Poderoso. Trocam a Verdadeira comida e bebida por alimento imundo cozido em esterco humano. Fazem como os besouros (invertebrados sem nenhuma sabedoria), se necessário lutam até a morte pela sua bola de cocô. Lutam pelas coisas que o mundo os oferece com ganância e ambição mas "buscam" a Cristo como se prestassem homenagem a um morto que não pode ver as flores de plástico e o vaso com a tinta descascada sendo depositado em seu tímido túmulo de azulejos rotos. Como os besouros, passam suas vidas rolando seu monturo.

Os vejo até cantar em suas canções antropocêntricas e em suas orações bajuladoras mas sem nenhuma expressão do Espírito:

Não por favor Deus... Não me deixe sem nada! Deixe este monturo te peço!  Não! Eu determino! Deixe este monturo... é só o resto mas é meu... deixe apenas isso... eu posso te servir ainda sim, isto em nada me atrapalha... veja só como eu consigo carregar todo esse monte de esterco enquanto converso contigo... Veja... eu nem preciso de ti para isso... remova o "principal"... remova as dores que este monturo me causa... destrone o inimigo que habita no monturo... limpe-me desse cheiro repugnante causado por este esterco... mas por favor! Não o tire de mim.

O que para um verdadeiro escravo de Deus é considerado perda, para estes é lucro. É a própria vida. Acreditam que se morrerem sem obter a "vitória", passarão uma eternidade lamentando. Miseráveis! O que lamentarão eternamente será isso: terem desejado a sopa de restolho preparada por satanás e seu guisado de sangue sufocado cozido no inferno. Lamentarão terem rejeitado o Pão que desceu do Céu e o Vinho que devia ser bebido em ação de graças.

Amados, seja nosso desejo constante perder tudo para ganhar apenas Jesus Cristo.

Daniel Clós Cesar

12/05/2010

para matar o orgulho

"O Senhor odeia os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos."1

Um provérbio como esse incomoda o mais puritano frei em clausura. Em parte porque os cristãos, ou melhor, os crentes, acreditam que Deus apenas "ama" e portanto, não pode odiar. Primeiro, Deus não ama, Ele é o próprio Amor e em segundo lugar sim, Ele sente ódio, ou alguém acha que ele nutre simpatia pelo pecado e pelo pai da mentira? Tudo o que vai contra a Sua natureza Santa é por Ele odiado. Você pode ou não concordar comigo, sinceramente, não me importo. É sobre meu orgulho que vou escrever e não sobre o seu.

Nascido num lar quase cristão (meu pai não era convertido na minha infância), batizado nas águas aos 11 anos de idade (e diga-se de passagem sem entendimento algum do que era aquilo), converti-me aos 16 anos em um retiro para jovens, na mesma fase da vida em que a única coisa que realmente me importava era quando tudo aquilo iria acabar... não o retiro, mas minha detestável vida. Entre os 18 e 26 anos experimentei todo esse alimento "sobrenatural", rico em esquizofrenia e extremamente pobre em Palavra e Poder. Aos 27 anos embarquei para o Timor-Leste como professor de História mas também como servo do Senhor, conheci um verdadeiro campo missionário e não uma Disney para crentes de classe média sem oportunidades no Brasil. Com quase 29 anos, já no Brasil, assisti um vídeo com a pregação do Pr. Paul Washer. Quase uma hora de pregação e nenhum grito, nenhum aleluia e na única vez em que foi aplaudido repreendeu a massa com uma autoridade que faria Nikita Krushev ruborizar.

O que havia de diferente naquele homem? Sinceramente... ao analisar bem aquela pregação ele não era diferente de Elias, não mesmo... era sujeito aos mesmos pecados do profeta arrebatado. A diferença  que vi em relação a grande maioria dos pregadores contemporâneos estava em sua pregação. Eu vi a Palavra de Deus sendo exposta e não a história ou a experiência orgulhosa de um homem.

Naquele dia compreendi que não era convertido a nada senão à meu próprio ventre. um deus ridiculamente preservado por mim para minha própria condenação. Toda minha espiritualidade girava em torno do meu umbigo. Orgulhava-me de ter um conhecimento razoável sobre Deus e convencer-me de um erro era uma tarefa para Hércules. Ainda naquele dia vi meu ventre se abrir e expor toda minha podridão. O trabalho de uma vida sendo desfeito em poucos minutos. Meu orgulho de conhecer algo sobre Deus não passava de conhecimento da letra e nisso, qualquer fariseu era melhor do que eu. Quanto a Hércules, não foi ele que Deus usou, mas Seu próprio Espírito Santo.

Um soldade inglês da Primeira Guerra Mundial reescreveu a sacrifício de Isaque. No final de sua "nova" história ele escreveu. "A Europa, ao invés de sacrificar o Cordeiro-Orgulho, sacrificou seus próprios filhos". O que vemos hoje na igreja de Cristo como feridas expostas e chagas incuráveis? O orgulho de pessoas que não aceitam a repreensão pois não querem ver seus ventres abertos e exposta toda sua prole de pecados. Preferem sacrificar sua própria vida a enviando para o inferno do que mandar aquele "bode" criado com tanto esmero.

O que eu enxergo hoje: Pastores que por mais bem intensionados que estejam preferem vociferar suas experiências pessoais com bastante orgulho à expor a Palavra de Deus, que sem dúvida alguma foi inspirada pelo Espírito Santo. Também vejo pastores que expõe a Palavra e buscam usar o púlpito como um verdadeiro altar de adoração, no entanto suas ovelhas estão mais preocupadas com a hora com que o culto vai terminar pois querem chegar em casa e aquecer a janta, pois o pão espiritual não é nada para elas.

Constantemente luto contra esse alfinete em minha carne, que às vezes parece ser um espinho... mas seria ousadia minha dizer que o que passo é semelhante ao que passou aquele que levou a cruz por mim. A cada dia tento fazer minha as palavra do rei Davi, para que um dia eu possa ver o Rei dos Reis e Senhor da Glória.

"Senhor o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não ando a procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim."2

Que um dia eu possa ver meu orgulho totalmente aniquilado e enterrado e possa ler não mais o meu texto... mas o seu.

Daniel Clós Cesar

1. Provérvbios 16.5
2. Salmos 131.1

23/04/2010

que loucura do evangelho é essa?

Algum tempo atrás, visitando uma professora de História da UFRGS, de quem tive o prazer (ou desprazer levando-se em conta as dificuldades da cadeira) de ser aluno no início dos anos 2000, e enquanto discutiamos a respeito da edição de seu mais novo livro, iniciamos uma conversa sobre o "preconceito" cristão.

Defendi que o cristianismo não é preconceituoso, mas rígido em sua doutrina. Afirmei para ela que não importava o que eu pensava, mas sim o que a Palavra "pensava" para mim e sobre mim. Ela é meu oráculo, ela é meu caminho e nela eu apoio todo meu ser, não importando o que pensa o outro, mas ela simplesmente. Antes de ser sensível ao outro, sou sensível a Palavra de Deus que me diz: Ame o próximo como a ti mesmo; o que não permite que eu seja insensível com meu próximo, mas não tolera que eu o ponha antes daquilo pré-ordenado por Deus em Sua Palavra.

Pelos adjetivos usados por ela para definir minha linha de pensamento, pude deduzir, que para ela isso tudo é loucura. Como podia eu, depois de ter caminhado numa das mais tradicionais escolas marxistas do Brasil pensar assim? Era um louco insolente que cuspia em tudo que ela e outros ensinaram com tanto ardor do alto de seus pedestais antropocêntricos.

Você evangélico de longa data pode também não concordar comigo... fazes bem, deves antes disso, mergulhar teus pensamentos e dedicar teus poucos dias que ainda restam para ler, meditar e concordar com a Palavra de Deus e não com alguém como eu, que você não conhece, senão por uns poucos textos publicados sem muita freqüência na internet. Mas talvez eu saiba porque você não concorda e também saiba que não é desvio da Palavra, mas sim, desvio de sua auto-imagem-cristã que o leva a discordar de mim.

Você não admite "perder" alguém para o reino de seu deus. No seu "planejamento" e estratégia de evangelismo, Mateus não precisa sair da recebedoria nem Pedro largar as redes quando Jesus disser: Siga-me. Para você, "conversão" é algo gradual, acontece ao longo de anos, décadas... quiçá uma vida... no entanto, te contradizes quando afirma que "salvação" é algo instantâneo, precedida apenas de uma curta e ritualística oração.

Enquanto conversava com aquela mulher não via uma doutora em História a quem eu devia honrar... ela não precisava das promessas do evangelho pagão contemporâneo, financeiramente ela vai muito bem. Talvez ela tenha problemas em outras áreas, quem sabe, pouco me importa... me importava naquele dia e me importa ainda hoje uma única coisa quando vejo um perdido, doutor ou analfabeto: Expor a Palavra da Cruz.

O problema é que nós, que decidimos expor a Palavra de Deus tal qual ela é, deparamo-nos com uma palavra verdadeira: "Certamente, a Palavra da Cruz é loucura para os que se perdem" (1 Co 1.18)

O que fazer então? Continuar a pregar o evangelho louco para um mundo perdido ou pregar um evangelho paliativo à alma destituída de Deus? Pregar uma cruz que leva o homem ao arrependimento ou um caminho tão lindo que só mesmo um louco recusaria andar por ele?

Os atuais pregadores e crentes preferem se apegar às experiências pessoais em detrimento da Palavra de Deus, pois aquela lhe dá uma falsa segurança de que seu trabalho evangelístico tem muito efeito, esta no entanto, mostra que é impossível uma vida se salvar senão pela inteira vontade e trabalhar do Espírito Santo de Deus, pois sem sua intervenção ela continua loucura para os que se perdem e sabedoria tão somente para os salvos. E para o homem é melhor depender tão somente dele, do que de outro, ainda mais de um deus tão longe.

Será portanto, que a Palavra de Deus já não se tornou loucura também para nós? Será que hoje desejamos ser sábios ao mundo em detrimentos de ser santos a Deus?

Este texto não é definitivo... eu muito tenho que aprender sobre evangelizar...  nem mesmo teria coragem de escrever umas poucas linhas ensinando-os tal ministério. No entanto não tenho a aprender sobre estratégias de evangelismo, mas sim de Palavra, que eu novamente afirmo: É meu oráculo, meu caminho e onde apoio todo meu ser.


autor: Daniel Clós

07/04/2010

um pouco de ar puro

Faz um tempo não publico nada... não parei de escrever, mas li muito mais do que dissertei neste tempo. E que tempo. Eu na verdade precisava respirar um pouco... só um pouco... mas fica difícil com toda essa poluição. Não falo da poluição gerada pelas indústrias de derivados de petróleo, ou do monóxido de carbono liberado pelos automóveis... não, este tipo de poluição o ser humano parece ter assimilado... aliás, parece-me que a teoria darwinista nunca foi tão "verdadeira" como agora... principalmente na comunidade auto-proclamada cristã.

Dentro da comunidade igrejeira evangélica brasileira (cópia porcaria da matriz estadunidense), são os que se reproduzem melhor (abrindo mais centros comerciais de indulgências), as catedrais que devoram as igrejicas e os líderes que exploram com maior eficácia os subprodutos de suas ovelhas que recebem o certificado de "homens de deus". Pequenas congregações com pastores que insistem em pregar a cruz, estão fadadas ao desaparecimento, pois sua pregação não condiz com a realidade e os desejos da massa que procura cerimônias e pirotecnia, mesmo que isso custe muito caro... muito mais que apenas mil reais.

Ao ler sites e blogs que criticam as negociatas e as apresentações quase circenses de Malafaia, Feliciano, Macedo e da trupe Valadão, assim como suas teologias funâmbulas, os autores demonstram uma preocupação com a ingenuidade das pessoas que seguem tais entidades espirituais. Porém, num rápido exame da Palavra, lendo Mt 23.15... Jesus diz que os prosélitos são duas vezes mais filhos do inferno que seus mestres.


Não importa se é oferecido ar fresco, novo e saudável a esses "crentes", o que eles procuram são ambientes fechados, com iluminação artificial e temperatura ajustável, ainda que seja um ar viciado, uma luz prejudicial aos olhos e um templo aos pedaços.


Não creio que Cristo tenha feito uso de uma hipérbole ao dizer que são mais filhos do inferno que seus mestres. O caminhar de homens e mulheres que se convertem à falsas doutrinas e a um evangelho que não o dos apóstolos é uma evidência disso. Esse homens e mulheres não seguem a Palavra de Deus, desconhecem-na e a julgam difícil de entender... recorrem aos tais interpretes, que não só interpretam, mas são capazes de fazer novas revelações e de mortificar a palavra viva para que ela possa servir de pasto para corações mortos (2 Pe 3.16). Longe da Palavra, não são capazes de diferenciar o direito do esquerdo, não há possibilidade de luz. Seus olhos são trevas e sua conversão e temor consistem em mandamentos humanos, em práticas fracas e que não tem nenhum efeito para salvação. Preferem suportar as pesadas cargas impostas pelos homens do que suportar a cruz oferecida por Cristo. Não porque conhecem a cruz, mas porque a desconhecem.

O gás assassino expelido por púlpitos caídos cegou-lhes a mente e o coração,  tais homens vivem apenas para seus prazeres e para as facilidades de um evangelho sem Cristo. Distantes de Deus e com a visão escurecida, seguem confiantes um deus tátil... o dinheiro.


por Daniel Clós Cesar

15/03/2010

- REPUBLICADO -

"você um dia foi galho mas pode deixar de ser"... "cuidado para não ser cortado"



Foi com essas palavras de encorajamento que iniciei a esperança que é o ano de 2010. São palavras assim que precisamos para que não vacilemos em nossa caminhada e é para meus irmãos apologéticos que escrevo meu primeiro texto deste ano.

Na última noite de 2009 meu pastor entregou-nos uma palavra no contexto de João 15, popularmente conhecida como a "palavra da videira". Entre as tantas frases trabalhadas naquela noite quero dar ênfase a duas delas, já parafraseadas no título deste texto.

Podemos ser cortados e devemos nos cuidar para não dar motivos ao agricultor para que ele nos quebre e arranque da árvore.

Tenho a convicção de que nosso enganoso e desesperadamente corrupto coração é prediposto a se ver como um dos galhos frutíferos da árvore... ele é demoniacamente inclinado a acreditar ser um galho natural, perfeito, justo, verdadeiro e pensa também sordidamente ser auto-suficiente e inamovível. Digo isso não porque diariamente vejo pessoas agindo assim, mas sim, porque dia após dia luto contra a natureza da minha própria carne que me faz desejar o que é vil e não o que é santo... o imprestável em detrimento do precioso.

Assim, escuto meu coração dizer: Alegre-se ó galho fértil!

Mas também ouço o Espírito de Deus que diz: Tu pensas estar de pé? Cuides para não cair.

A primeira voz é doce e aprazível a meu coração, mas é também cheia de engano, fala aquilo que alegrará minha própria carne e virtualmente me manterá num estado de ilusão voluntária de que estou firme quando meus pés podem já estar quebrados e meus ossos moídos pelo pecado que "sutilmente" pode destruir a minha alma a ponto de consumir dolorosamente até mesmo minha própria carne.

A segunda voz no entanto me estimula a um contínuo estado de vigilância, de temor ao Santo de Israel. Uma fiel realidade de que não passo de um galho enxertado, e se o agricultor não poupou galhos naturais, mas os cortou, eu, pela soberba e pela falta de temor, como um galho naturalmente de árvore de fruto imprestável também não serei poupado, mas quebrado e lançado no inferno (Rm 11). Se no entanto permaneço ligado a árvore verdadeira é porque por sua misericórdia derramou sangue inocente por mim, é porque ela me escolheu: um leproso que raspava as próprias feridas desejando inutilmente curar-se.

Assim amados irmãos, tenho em mim a certeza de que por andarmos num caminho estreito (certamente plano e reto, mas estreito) que leva a uma porta igualmente rigorosa e por lutarmos por este evangelho, desejando dar a vida por ele, podemos em alguns momentos ser subitamente arrebatados por um espírito imundo de soberba e auto-suficiência. Ora, sabemos que apenas um pulgão pode fazer secar uma planta (Jn 4.7), quanto mais uma miríade de vermes.

Sabemos também que galho algum sobrevive separado da árvore e fruto nenhum se desenvolve em um galho morto. Mas quando nos alimentamos de Cristo, a árvore na qual fomos enxertados, tornamo-nos parte da árvore e a essência de Sua vida em nós gera frutos que alegram o agricultor.

Tenho também a convicção, de que aqueles que defendem a Palavra Verdadeira, na qual nos firmamos para, de alguma forma, ressuscitar com os mortos, entendem que este texto não é acusação, mas exortação.

Pois sabemos que há "profetas" que declaram palavras de conforto, sonhos e fantasias. Palavras que apenas enfeitiçam mentes e corações carnais...  palavras insuficientes,  precárias e que não permanecem; pois necessário é uma pequena onda para as apagar de corações sedentos pela água do poço de Jacó (Jo 4.13) e não pela Cruz de Cristo.

Também sabemos que existem escravos do Senhor que alertam quanto às dificuldades, dores e tribulações do Caminho, que neste ano serão igualmente muitas, quiçá maiores... para que ao final desta curta caminhada deixemos cada vez mais a ignorância espiritual e nos tornemos aprovados.

autor: Daniel Clós Cesar

09/03/2010

e se você quiser andar
na contramão de tudo isso?

A sociedade, no geral, olha com ojeriza para o estranho. Existe uma repulsa quase que natural ao que não lhe é habitual. Jesus foi ridicularizado e ao mesmo tempo temido pelos fariseus, os "verdadeiros" crentes de seu tempo... o ridicularizavam e o repeliam pois ele era estranho, deslocado dentro daquela vida de aparências... mas também o temiam, pois seu interior testemunhava contra eles... ali estava um que não tinha aparência, verdadeiramente Era.

O cristianismo decaído hoje, tal qual o judaísmo no início da pregação de Cristo, tem o mesmo sentimento para com àqueles que decidem viver na contramão de sua carnalidade. A igreja contemporânea simplesmente não tem lugar para os que desejam viver na santidade que proporcionará ver a Deus (Hb12.14).

No entanto, se nas primeiras décadas do milênio anterior, o judaísmo era uma religião de aparências, hoje, o cristianismo é a religião das aversões à aparência. Não que eu seja pró-aparência... longe de minha boca tal afirmação... entretanto, a igreja atual não difere em nada do mundo... e não falo de vestimenta (se fosse só por isso, algumas de nossas “irmãs” seriam confundidas com meretrizes e alguns de nossos “irmãos” com cafetões tirados de um clipe do 50cent).

Então aparece alguém que diz não assistir televisão... e a reação de seus irmãos em Cristo é semelhante a dos confessadamente descrentes ao escutar de um rapaz de 25 anos que ele é virgem. É lamentável... mas o comportamento do cristão é tal qual o do mundo.

Algum tempo atrás em um grupo de pessoas evangélicas (ou algo perto disso) surgiu uma discussão considerada por alguns dos presentes: teológica. Na verdade, era uma busca vazia por justificação dos pecados nos próprios méritos. Após um tempo, alguém resolveu colocar na pauta o tempo dedicado à leitura da Bíblia. Depois de muito se discutir se o tempo devia ser contado por dia, semana ou mês, chegou-se a conclusão que uns 15 minutos por dia estava bom.

Essa está na lista das maiores hipocrisias que já ouvi. 99% dos nominalmente crentes... e afirmo isso sem temer nenhuma praga, sequer tocam na Bíblia durante uma semana inteira... 15 minutos por dia significaria pelo menos uma hora e meia por semana (excluindo-se o domingo, pois já a teriam lido no culto) lendo a Palavra Sagrada. A maioria dos crentes não passa nem mesmo uma hora por ano lendo a Bíblia.

Quanto à discussão infrutífera que vi, os mais exaltados quanto ao tempo a se dedicar eram justamente os que menos conheciam e portanto menos liam a Bíblia. E por fim, foram estes que acharam serem 15 minutos aceitável... por quê? Esses “cristãos”, assim como os fariseus, temem ver em outro também cristão, membro de sua comunidade evangélica, dedicando 1 hora de leitura por dia... por que eles são incapazes de fazer o mesmo, então, nivelar os outros a seu patamar ridiculamente baixo os põe em igualdade... e quando alguém os critica usam pedaços da própria Bíblia para acusar – a letra mata – assim mesmo procediam os fariseus.

Esses mesmos “crentes”, quando percebem algum sinal, alguma aparência, genuína ou não, de santidade em alguém, fazem de tudo para destruí-la, pois a santidade do outro compromete o seu pequeno deus ventre tão cuidadosamente ornamentado e alimentado com o mundo. Ao ver outro no caminho estreito o olham como se aquele fosse o pior dos homens... e ele realmente é... pois só os que percebem não ter valor algum, nenhum bem, nenhum mérito e nenhum atrativo é que podem andar neste caminho... pois se existe algum dom, algo que atrai ou alguma riqueza, ela é proveniente dos céus e não de sua própria vida, que por si só é morta.

Portanto, àqueles que desejam andar na contramão do cristianismo contemporâneo, onde até a sombra da santidade é alvo de apedrejamento, viverão em conflito com quase tudo e com quase todos.

Quando você disser que não faz tal coisa, de imediato terá seu pastor acusado de o estar doutrinando errado, se você no entanto estiver no meio deles, dirão que você está virando fariseu, legalista e desejando ser mais santo que os outros... quem sabe dirão até que a Bíblia o está prejudicando (essa em especial eu já ouvi).

Em uma coisa eles estarão certos... você deseja ser mais santos que eles... não para ser melhor, mas para ser salvo... no entanto é no coração destes, que estipulam tempo para leitura da Bíblia, roupas aceitáveis, vida em conformidade com a sociedade e não com a Palavra que reside o legalismo moderno. Pois não desejam um Deus Rei dos reis em suas vidas, mas um deus presidente, onde eles, congressistas, fazem as leis e doutrinas e depois dizem: - Toma: assina e endossa ó glorioso presidente!
 
autor: Daniel Clós Cesar

03/03/2010

Paul Washer
Não concordo com o título atribuído a este vídeo. foi uma escolha infeliz. Pois infelizmente ainda lutamos mais contra a carne do que contra espíritos dominadores. Entendo claramente que Paul Washer não está contra Marcos Witt, está sim contra este falso Deus, falso Cristo e falso Evangelho proclamado por um showman gospel que recebeu um grande ministério, mas que frente a "glória" de um teleapresentador só conseguiu falar besteiras.

Para quem não conhece Daddy Yankee, o músico que recebe o prêmio das mãosde Marcos Witt no final deste vídeo, faça uma rápida busca no Google e leia algumas das letras das músicas deste servo de satanás.

Como o Pr. Paul Washer fala em sua pregação... "não somos feitos na mesma forma deste mundo".

18/02/2010

tenho vergonha desse evangelho

"...o Arena Beats mostrou a força evangelística ao trazer, por meio dos líderes das Arenas, jovens que frequentaram pela primeira vez uma festa respaldada nos valores cristãos." 

Que valores seriam esses? Uma moral mais elevada que a dos confessadamente descrentes? Uma moral que diz que sexo antes do casamento é errado e beber bebida alcóolica também? São esses os valores cristãos respaldados em uma festa onde caricaturas de pessoas tementes a Deus são ridicularizadas pelos seus participantes, a princípio, cristãos? (veja a foto ao lado) E a Palavra Sagrada é usada como fantasia? São estes os valores cristãos?

Esta foto foi retirada do site da igreja Sara Nossa Terra e foi realizada durante mais um evento gospel; o Arena Beats, um tipo de festa à fantasia que aconteceu no final do congresso de carnaval da SNT do DF.


Que tipo de Evangelho é esse? Que tipo de geração está sendo criada dentro das atuais igrejas evangélicas?

Parece ser semelhante a geração que Cristo viu na Jerusalém de seu tempo (Mt 11.16). São meninos que sentam na praça... esta geração considera aqueles que decidem viver na contramão de seu mundanismo como endemoniados, como fariseus contemporâneos, tal qual faziam com João Batista (Mt 11.18), ao mesmo tempo, fazem exigências sobrenaturais daqueles que declaram buscar santidade, como faziam com Cristo (Mt 11.19).

No entanto é este evangelho precário e desprovido de real arrependimento e busca por santidade que predomina no Brasil. Um evangelho feito de marketing e estratégias de aglomeração e não de Palavra de arrependimento... não de Palavras de esperança e salvação... mas de palavras positivas, pão e circo.

Recentemente, em entrevista ao Jô Soares, a "popstora"(?) Baby do Brasil, usou frases como: "arrancar Deus do trono", "tomar o céu por violência" (contra Deus, colocando-o contra a parede)*... além de afirmar que o citado apresentador era salvo por ser "casca grossa"(?). Por fim, afirmou que o Pres. Lula era um "grande homem de Deus".

Quero apenas pegar essa última afirmação dessa sacerdotisa para ilustrar um pouco meu texto. Em 2005, quando Lula foi ao Vaticano para o funeral do papa João Paulo II, um repórter perguntou se ele se confessara. O nosso presidente afirmou ser um "homem sem pecados". (clique aqui para ler reportagem)

Em 1 João, 1.9-10, o apóstolo João escreve: "...se confessarmos nossos pecados Ele é fiel e justo para os perdoar ... se dissermos que não temos pecado, O fazemos mentiroso, e Sua Palavra não está em nós".

Eu realmente não sei se o sr. Luís Inácio Lula da Silva já se arrependeu de tal ato insano contra o Rei dos Reis, ao chamar o próprio Deus de mentiroso (foi isso que ele fez amados, não sou eu quem afirmo, mas a própria Palavra, se não concordas, te entendes com Deus). Mas como então nós brasileiros, cristãos, ateus, batuqueiros, espíritas, muçulmanos,... ainda não vimos nenhuma mudança neste homem sendo ele um "grande homem de Deus"?

A igreja dita cristã não consegue mais confrontar o pecado (também não acredito que ela queira isso), é incapaz de andar em direção oposta ao mundo... procura fazer amizade com o mundo para "convencê-lo", não do pecado, mas que Deus existe... como se isso fosse algo grandioso... ora... até os demônios crêem em Deus, e tremem (Tg 2.19)... não há nada de espetacular em apenas crer em Deus... é necessário fazer sua vontade. É necessário ser amigo de Deus, e é impossível ter a amizade de Deus e a amizade do mundo de forma concorrente, pois as duas se repelem... são opostas... se amar um, odiará o outro.

São estes os inimigos de Deus... pois desejam mais o mundo... não aborrecem a ninguém por Deus (Lc 14.26)... amam o mundo e fazem amizade com ele.. tornando-se inimigos de Deus (Tg 4.4).

No entanto não tenho muita esperança... em tempos difíceis, em que a apostasia se instala no seio da igreja cristã, eu sou apenas mais um fariseu... mais um legalista... mais um imbecil que prefere o caminho estreito ao largo caminho que conduz semelhantemente a "salvação".


*Perdoem-me escrever essas palavras proferidas insanamente contra o nosso Deus.

autor: Daniel Clós Cesar

02/02/2010

a arte da falsificação

Ao abrir o site do MIR12 (mir12.com.br) encontra-se uma chamada para um texto de "estudo", intitulado: a honra e a prosperidade pelo discurso bíblico. O texto é este:

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33) (sic)

Aparentemente é um texto bíblico, tem até referência, no entanto, uma análise mais apurada ou apenas um pouco de conhecimento bíblico leva qualquer leitor mais assíduo da Palavra de Deus à verificar que se trata de um simulacro, um "fake", diriam os cidadãos mais internéticos.

Busquei em pelo menos 12 versões, em língua portuguesa, espanhola e inglesa (se você não possuí muitas Bíblias em diferentes versões, pode usar de forma gratuita as Bíblias digitais dispostas na barra lateral deste blog). Em todas as versões que busquei, incluíndo a versão na linguagem de hoje, lê-se:

"Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."

No versículo citado no site do Mir, ministério(?) liderado pelo apóstolo(?)  e doutor em números de significados sobrenaturais, Rene Terra Nova, o termo: "estas coisas" foi substituído por "todas as outras coisas". Você pode achar isso algo pequeno, mas lembremos o que diz Jesus, por intermédio de seu anjo a João, quando ele finaliza o livro da Apocalipse:

"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22.18,19)

Então, qual o problema da substituição de "estas coisas" por "todas as outras coisas"?

Isso é que se pode chamar de pegar um texto e tirá-lo do contexto com algum outro pretexto.

É neste mesmo capítulo 6 de Mateus que Jesus diz para não se ajuntar tesouros na terra (v.19), que Jesus também diz que não se pode servir a dois senhores, Deus e Mamom (v.24) ressaltando após dizer isto, que ninguém deve ficar ansioso pelo dia seguinte (v.25)... Jesus então apresenta as aves do céu e os lírios do campo como exemplos para o homem, as primeiras tem comida sem semear e os últimos vestes sem necessitar manufaturar roupas para si.

Então Jesus diz:

"Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (v.31) Porque todas estas coisas os gentios procuram. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;" (v.32).

e finaliza:

"Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."

Jesus está fazendo referência ao que ele disse na frase anterior e não como desejam os profetas da prosperidade terrena e satânica que afirmam que Jesus nos acrescentaria "todas as outras coisas", distorcendo a Palavra eles afirmam que Jesus promete a você tudo, quando o que Ele diz é: "Isso aqui não te faltará porque você vale mais que uma ave ou um lírio". O engano obviamente precisa ser sutil, ou ninguém seguiria estes tortuosos caminhos.

"Todas as outras coisas" incluem carros importados, casa própria com piscina, viagens em cruzeiros gospel e jatinhos particulares. "Todas as outras coisas" são aquilo que meu coração deseja e não o que Deus deseja, não o que Deus tem para cada um, mas o que cada um deseja para si. Nem é eu fazendo a vontade de Deus, mas Deus fazendo a minha vontade. Isso é perverso, isso é demoníaco.

Fidelidade ao Senhor não garante prosperidade financeira. Jesus não tinha nem mesmo cama para dormir (Mt 8.20). Os verdadeiros apóstolos, diferente dos "fake"-apóstolos de hoje, morreram em prisões, serrados ao meio, apedrejados, empalados, crucificados e queimados vivos... foram humilhados, tiveram fome e sede... foram torturados e serviram de espetáculo a homens sanguinários que os assisitiram serem devorados por feras famintas e treinadas para devorar homens. Mas combateram o bom combate, terminaram a carreira e guardaram a fé.

Deus tenha misericórdia e faça justiça aos abutres e seus filhotes. Pois como escreveu o profeta Isaías:

"Mas nos profetas de Jerusalém vejo coisa horrenda; cometem adultérios, andam com falsidade e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam cada um da sua maldade; todos eles se tornaram para mim como sodoma, e os moradores de Jerusalém, como Gomorra." (Is 23.14)

Maranata Senhor Jesus!

autor: Daniel Clós

* João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada Fiel (1994) in: http://www.bibliaonline.com.br
(Mt 6.33)*

01/02/2010

na frente de batalha - fev/10

Projeto Spurgeon
Com o objetivo de reunir uma coleção de textos (sermões e anotações) do pregador inglês Charles Haddon Spurgeon, este blog é hoje a mais completa biblioteca digital com textos traduzidos para o português do pastor do Tabernáculo Metropolitano de Londres. Inspirado no trabalho do site: www.spurgeon.com.mx, (da Igreja Batista da Graça da Cidade do México), Armando Marcos traduz e incentiva a que outros o ajudem nesse empreendimento... você não precisa sacar nada de sua conta bancária, apenas pegar um texto (inglês ou espanhol) e traduzir.

Conhecido como o Príncipe dos Pregadores, Charles H. Spurgeon
(19/06/1834 - 31/01/1892) é um exemplo de servo a ser seguido, e seus textos são de uma riqueza sem comparação à grande quantidade de lixo gospel produzido atualmente. Ao ler os calorosos sermões de C. H. Spurgeon, verificamos que o cristianismo decadente que contemplamos hoje pela TV já era intensamente combatido por ele no distante século 19.

Clique sobre o nome do blog para acessá-lo.

Estagiários da Redação

26/01/2010

maldito evangelho da prosperidade

"Não, não estou fazendo apologia à pobreza, "simplicidade" no sentido pejorativo do termo ou ignorância. Mas à decência e humildade. É demagogia dizer que se vive na busca da pobreza e da mediocridade, todos queremos prosperar. É isso que Deus tem para nós."


Por si só o texto supracitado é demagógico e combina bem com a boca dos inimigos da cruz que não pregam o Evangelho da Salvação, mas sim um evangelho antropocentrista onde deus (o deus desse evangelho), vive para o agrado de seus seguidores... CORREÇÃO: seguir e agradar seus mestres... a saber: os crentes.

O irônico é que milhares desses crentes concordam com o que escrevi acima, no entanto, se eu também digitasse o nome de seus líderes; a turma que prega, divulga e usa a Bíblia como manual de mágia e bruxaria gospel, eu passaria de "profeta blogueiro" para "fariseu" no tempo de uma troca gasosa dos pulmões... ou até menos que isso... nesses crentes, o nome de seus "ungidos" dispara um alarme... e nada importa senão as palavras de seu líder... mais sábios que Deus, mais importantes que Cristo... mais influentes que o Espírito Santo.

Não por medo dessa turma, nem por respeito (não sei se devo isso a quem cospe na obra da cruz e crucifica a Cristo dia a após dia, expondo Cristo a vergonha novamente - pois é isso que significa a palavra vitupério em Hebreus 6.6
) é que deixarei de citar nomes... é simplesmente porque é inútil.

Se vemos por um lado mais ridículo da "cristandade" decaída do século vigente pessoas suplicando a seu deus, por meio de novenas, campanhas e ingresso em nações religiosas um carro importado... de outro vemos "falsos" piedosos que não dizem se ajoelhar e pedir o mesmo BMW, mas se apresentam como filhos do rei e como tais querem o "melhor dessa terra"...

Tolos, estúpidos... não ouviram quando o Filho disse: "O meu reino não é deste mundo!" (Jo 18.36)... Não entenderam ainda que os nascidos em Cristo são apenas peregrinos e não pertencem a esta terra?... Não conseguem acreditar que o mundo é vosso inimigo e deseja vossa morte?

"Adúlteros,
não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4.4)

O problema é que esses mesmos, com a mente já cauterizada pela doutrina humana distorcida, que não se apresenta como lei mas como liberdade, mas no entanto deturpa a graça de Deus tornando-a em libertinagem, homens perversos (Jd 1.4), desgraçam a Graça de nosso Senhor e Salvador para obter vantagens pessoais e saciar suas almas egoístas e promover sua prostituição "gospel". Esses mesmos, não conseguem se encaixar nessa Palavra, olham para ela e a direcionam para o viciado, para o bêbado, para a prostituta... ignorantes... não foi para estes que os apóstolos escreveram... era para aqueles que vivem sob o teto das igrejas mas não sob as asas da Graça de nosso Deus a quem Cristo, Paulo, Judas, Pedro... direcionam seus textos de arrependimento. foi para os "crentes" da época que Cristo pregou, gente doente que acreditava ser sã.... foi para as igrejas constituídas pelo verdadeiro ministério apostólico que Paulo e outros apóstolos escreveram... não para os "nitidamente" perdidos... não para os que proclamam nas ruas não crerem em Deus... nestes - sem arrependimento - a perdição é notória.

Passei grande parte da minha vida acreditando que minha mediocridade de pulos, danças, profecias e busca por prosperidade me aproximavam de Deus e constituíam um sinal de salvação... o que percebi quando verdadeiramente conheci o Evangelho que é Cristo? "Um camelo não passa pelo buraco de uma agulha"... e esqueça a história do túnel das cidades judéias... Jesus falava de uma agulha mesmo... néscios até quando acreditarão que a ira de Deus não cairá sobre vós?

Uma vez alguém fez comigo uma "oração de confissão"... um erro infantil, estúpido e que apenas alimentou meu ego... tempos depois percebi o grande assassinato que eu havia cometido... havia enganado um homem dizendo que ele estava salvo após uma oração tola e sem sentido... nunca mais vi esse rapaz em nossa igreja, e até onde sei não frequenta lugar algum. O que sei dele? Sua empresa fechou um grande negócio naquela semana... soube também que ele ficou muito "agradecido". Fez semelhante aos nove leprosos que não retornaram para adorar a Deus... era-lhes suficiente a cura de seu corpo  mortal... pouco importava-lhes a alma eterna...

Tenho pedido a Deus outra oportunidade, para mim ou para ele... pois fui eu quem o condenou encaminhado-o a um caminho de engano, e desejo ser livre desse sangue inocente que eu propositadamente derramei (tenho para mim que o pecado é um ato pensado, planejado e executado pelo homem, conforme compreendo ao ler - Tg 1.15)... e digo isso não porque tenha feito àquela oração condenatória ao inferno pensando nisso. O problema foi não ter ouvido a voz de Deus mas apenas o meu enganoso coração que dizia: "É agora Daniel, coloque mais um na sua lista, mais uma pedrinha na sua coroa."

Peço a Deus a oportunidade (a mim ou a alguém mais capaz e fiel ao Senhor do que eu tenho sido) de dizer a este rapaz: "Amigo, se você não se arrepender, não mudar sua vida, não buscar intensamente este Evangelho você irá para o inferno".

Não como que buscando justificar meu erro, mas como quem alerta, sei que qualquer um pode errar... mas é necessário reconhecer o erro... o Evangelho é um contínuo caminho de arrependimento e piedade (ou devoção).

No entanto a cruz pregada pelos apóstolos da prosperidade e pelos sacerdotes da nojenta idolatria gospel desobrigam os "crentes" de seus deveres de cristão... forjam um contrato com Deus e ensinam-lhes a serem fiéis apenas a seus próprios desejos e a praticarem um punhado de doutrinas sem valor espiritual algum, senão monetário e mundano.

Deus tenha misericórdia nesses últimos dias e guarde os poucos que ainda não se dobraram perante satanás e seu horrendo exército... e preserve a vida daqueles que após deitarem-se com a prostituta chamada Teologia da Prosperidade arrependeram-se e tornaram ao Caminho Santo.


autor: Daniel Clós



24/01/2010

a quem prestam culto esses sacerdotes?

Após ouvir a frase: "Não importa sua religião o que importa é seu sucesso" fui ir buscar nos meus arquivos um texto que pudesse ilustar isso, eu pessoalmente não consigo pensar no momento o que mais escrever sobre esta denominação tão afastada do Evangelho.

Certamente ao usar o termo "Religião" o porta-voz desta entidade (ou nação) não se referia a religião instituída, mas a crença num único Deus. Traduzindo o que ele disse: "Não importa no que você crê"... não importa em que deus ou deuses você crê ou frente a quem você prostra... desde que um deles seja mamon.. Afinal de contas... eles não pregam a Cristo ou a Sua Palavra. A Bíblia é para eles um tipo de manual de ocultismo e mágicas, como o de amarrar uma camiseta branca do avesso, passar uma rosa de plástico "ungida" pelos cômodos da casa ou ainda caminhar sobre sal... a Bíblia para eles é tudo, menos a Viva Palavra de Deus. A Fé é uma crença precária e vulgar,não um dom de Deus.

Segue um texto extraído do site da Editora Ultimato.

O diabo conseguiu
Numa das cartas do Diabo a seu aprendiz, escrita em 1942, o tentador diz o seguinte: “O que queremos mesmo, e desejamos muito, é fazer com que as pessoas tratem o cristianismo como um meio; de preferência, é claro, como um meio para o seu próprio benefício”.1

Não foi preciso esperar a chegada do terceiro milênio para descobrir que o Diabo conseguiu realizar o seu intento com o maior sucesso possível. Essa é a arma da maior parte das igrejas neopentecostais. Elas não cobram o preço do discipulado; sequer mencionam tal coisa. Porém, oferecem as vantagens da fé: pensamentos positivos, destemor, sucesso empresarial, prosperidade, bens de consumo, longevidade e seus congêneres. Curiosamente, a estratégia satânica está enchendo o mundo com novos templos cristãos, e enchendo os templos cristãos com novos fiéis. O fenômeno é tal, que vários pesquisadores estão se dedicando ao assunto e escrevendo sobre ele.

No início de agosto, o caderno “Mais!”, da “Folha de São Paulo”, publicou a análise de José Arthur Giannotti, professor emérito da Universidade de São Paulo e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento: “O novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso da sua existência. Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser. Apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?”.

Menos de quinze dias depois de Giannotti, foi a vez do escritor Carlos Heitor Cony: “Grande número de igrejas se apoia na atividade carismática, fazendo ou prometendo milagres instantâneos ou a curto prazo, bastando a fé em Jesus Cristo e o pagamento do dízimo” (“FSP”, 21/08/09, E16).

As demais igrejas evangélicas querem se proteger dessa generalização e, às vezes, encontram pessoas de fora que fazem isto por elas. É o caso do ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva, que critica as reportagens publicadas na “Folha de São Paulo”, que “deixaram de abordar aspectos fundamentais, como quais são os traços que distinguem a IURD de outras denominações evangélicas. Isso teria ajudado a evitar a percepção de alguns leitores de que a edição permitiu confundir a IURD com as demais” (“FSP”, 23/08/09, A8).

Quando publicou as “Cartas do Diabo a seu Aprendiz”, há 67 anos, C. S. Lewis talvez não imaginou que acertaria em cheio. O Diabo conseguiu fazer as pessoas procurarem o cristianismo não em busca da justificação (aquela bênção primária que significa o perdão de Deus), mas em busca de algum proveito secular. Hoje, somos obrigados a ouvir certas pilhérias irreverentes e incômodas. Por exemplo, um guia mirim de Natal, no Rio Grande do Norte, ao apresentar a imensa catedral da Igreja Universal do Reino de Deus, disse ao turista: “Esta é a Casa da Moeda daqui...” (“O Globo”, 22/08/09, 24). A “Folha de São Paulo” (13/08/09) publicou no “Painel do leitor” a carta de Victor Medeiros do Paço: “Os fiéis que contribuem com o dízimo vão para o paraíso celeste, já os dízimos vão para os paraísos fiscais”. O próprio Carlos Heitor Cony também faz uma piada: “Maomé terminou rico, tão rico como o Sr. Edir Macedo, só que não vendia espaço na televisão, mas camelos”.

Contudo, assim como a sociedade brasileira precisa separar o trigo (as igrejas seriamente comprometidas com o evangelho) do joio (as igrejas comprometidas com o mercado da fé), os evangélicos e o povo em geral precisam separar a bem fundada e desinteressada crítica ao movimento neopentecostal da crítica motivada por interesses simplesmente empresariais. Por exemplo, o seriado que a Globo está gravando em Salvador conta a história de alguém que depois de se converter ao evangelho decide fundar a Igreja Evangélica do Tremor Divino e passa a desviar parte dos dízimos em benefício próprio (“FSP”, 19/08/09, E8).

Nota: 1. Um Ano com C. S. Lewis, p. 51 (Editora Ultimato).

14/01/2010

John Macarthur:
Spurgeon e pregação mundana
Publicado em Projeto Spurgeon




10/01/2010


se Deus não é soberano, não há Evangelho

Pr. John Piper
copiado do site www.vemver.tv





03/01/2010

a igreja versus o mundo

"irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia"
1 Jo 3.13

Por que os evangélicos tentam tão deses­peradamente cortejar o favor do mundo? As igrejas planejam seus cultos de adoração para servir aos "sem-igreja". Os produtores cristãos imitam a coqueluche mundana do momento em termos de música e entretenimento. Os pregadores se sentem aterrorizados de que a ofensa do evangelho possa fazer alguém se voltar contra eles; então deliberadamente omitem partes da mensagem que o mundo pode não se agradar.

O movimento evangélico parece ter sido sabotado por legiões de falsos especialistas mundanos que estão empenhados em tentar fazer o melhor que podem para convencer o mundo de que a igreja pode ser tão inclusiva, pluralista e de mente aberta quanto a mais politicamente correta pessoa mundana.


A busca pela aprovação do mundo é nada mais, nada menos que adultério espiritual. Na verdade, isto é precisamente a imagem que o apóstolo Tiago usou para descrevê-la. Ele escreveu, "Infiéis [NKN: "adúlteros e adúlteras"], não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4).


Existe e sempre existiu uma incompati­bilidade fundamental, irreconciliável entre a igreja e o mundo. O pensamento cristão é totalmente desarmônico com todas as filosofias da História. A fé genuína em Cristo implica numa negação de todo valor mundano. A verdade bíblica contradiz todas as religiões do mundo.


O próprio Cristianismo é, portanto, virtualmente contrário a tudo o que este mundo admira. Jesus disse a seus discípulos, "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fosseis do mundo, o mun­do amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhei, por isso, o mundo vos odeia" (Jo 15.18,19). Observe que o nosso Senhor considerou como certo que o mundo desprezaria a igreja. Longe de ensinar a seus discípulos a que tenta sem ganhar o favor do mundo, reinventando o evangelho para se adequar às suas preferências, Jesus expressamente advertiu que a busca pelas aclamações mundanas é uma característica dos falsos profetas: "Ai de vós, quando todos vos louvarem' Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas" (Lc 626).


Ele foi mais longe, "Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más" (Jo 7.7). Em outras palavras, o desprezo do mundo pelo Cristianismo deriva de motivos morais, não intelectuais: "O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (Jo 3.19,20). É por esta razão que, não importa quão dramaticamente a opinião do mundo possa vir a variar, a verdade cristã não será jamais popular ao mundo.


Contudo, virtualmente em toda época da história da igreja, tem havido gente na igreja que está convencida de que a melhor maneira de ganhar o mundo é satisfazer os seus gostos. Tal tipo de abordagem tem sempre sido em de­trimento da mensagem do evangelho. As únicas vezes que igreja causou impacto significativo sobre o mundo foi quando o povo de Deus permaneceu firme, se recusou a compactuar e ousadamente proclamou a verdade apesar da hostilidade do mundo. Quando os cristãos se des­viam da tarefa de confrontar os enganos do mundo com as impopulares verdades bíblicas, a igreja invariavelmente perde sua influência e impotente se mescla ao mundo. Tanto as Escrituras quanto a História atestam esse fato.

E a mensagem cristã simplesmente não pode ser torcida para se conformar com a instabilidade da opinião do mundo. A verdade bíblica é fixa e constante, não sujeita a mudança ou adaptação. A opinião do mundo, por outro lado, está sempre em fluxo constante. Os vários modismos e filosofias mudam radicalmente e regularmente de geração para geração. A única coisa que permanece constante no mundo é seu ódio por Cristo e seu evangelho.


Ao que tudo indica, o mundo não abraçará por muito tempo qualquer das ideologias que estão atualmente em voga. Se a História servir como indicador, quando nossos netos se tomarem adultos a opinião do mundo terá sido dominada por um sistema completamente novo de crenças e um conjunto de valores totalmente diferente. A geração de amanhã renunciará a todas os modismos e filosofias de hoje, mas urna coisa permanecerá imutável: até que o Senhor mesmo volte, seja qual for a ideologia que ganhe popularidade no mundo, ela será tão hostil às verdades bíblicas corno o foram todas as precedentes.

modernismo
Pense no que aconteceu no século passado, por exemplo. Cem anos atrás a igreja estava ameaçada pelo modernismo. Modernismo era urna cosmovisão baseada na noção de que somente a ciência podia explicar a realidade. O modernista, com efeito, começou com a pressu­posição de que nada sobrenatural é real.


Deveria ter ficado instantaneamente óbvio que o modernismo e o Cristianismo eram incom­patíveis no nível mais básico. Se nada sobrena­tural era real, então grande parte da Bíblia seria falsa e sem autoridade; a encarnação de Cristo seria um mito (anulando a autoridade de Cristo também); e todos os elementos sobrenaturais do Cristianismo, incluindo o próprio Deus, teriam de ser totalmente redefinidos em termos naturalistas. O modernismo foi anticristão até à sua medula.


Não obstante, a igreja visível no começo do século 20 ficou cheia de gente que estava con­vencida de que modernismo e Cristianismo podiam e deviam ser conciliados. Eles insistiam que se a igreja não acompanhasse o passo com dos tempos, abraçando o modernismo, o Cristianismo não sobreviveria ao século 20. A igreja se tornaria paulatinamente irrelevante para o povo mo­derno, eles diziam, e logo desapareceria. Assim sendo, eles inventaram um "evangelho social" desprovido do verdadeiro evangelho da salvação.


Naturalmente, o Cristianismo bíblico sobreviveu o século 20 muito bem, obrigado. Nos lugares onde os cristãos permaneceram comprometidos com a verdade e autoridade das Escrituras, a igreja floresceu, mas, ironicamente, aquelas igrejas e denominações que abraçaram o modernismo foram as que se tornaram pouco a pouco irrelevantes e desapareceram antes do fim do século. Muitos edifícios de pedra, grandiosos, mas quase vazios, dão testemunho da fatalidade da conformação com o modernismo.


pós-modernismo
O modernismo é agora considerado como um modo de pensar do passado. A cosmovisão dominante tanto no círculo secular quanto no acadêmico atualmente é chamada de pós-moder­nismo. Os pós-modernistas têm repudiado a confiança absoluta dos modernistas na ciência como único caminho para a verdade. Na realidade os pós-modernistas perderam completamente o interesse pela "verdade", insistindo que não existe tal coisa como verdade absoluta ou universal.

O modernismo era de fato asneira e preci­sava ser abandonado, mas o pós-modernismo é um passo trágico na direção errada. Ao contrário do modernismo, que estava ainda preocupado com a possibilidade de convicções básicas, crenças e ideologias serem objetivamente verdadeiras ou falsas, o pós-modernismo simplesmente nega que qualquer verdade possa ser objetivamente conhecida.


Para o pós-modernista a realidade é o que o indivíduo imagina que seja. Isso significa que o que é "verdadeiro" é determinado subjetivamente por cada um, e não existe tal coisa como a chamada verdade objetiva, com autoridade que governa ou se aplica universalmente a toda humanidade. O pós-modernista acredita naturalmente que não faz sentido debater se a opinião A é superior à opinião B. No final de contas, se a realidade é meramente uma invenção da mente humana a perspectiva de verdade de uma pessoa é afinal tão boa quanto a de outra.


Tendo desistido de conhecer a verdade objetiva, o pós-modernista se ocupa em lugar disso, com a busca para "entender" o ponto de vista da outra pessoa. Então as palavras "verdade" e "compreensão" tomam significados radicalmente novos. Ironicamente, "compreensão" requer que primeiro de tudo desacreditemos na possibilidade de conhecer qualquer verdade afinal. E "verdade" se torna nada mais do que uma opinião pessoal, geralmente melhor guardada para si mesmo.


Essa é uma exigência essencial, não negociável que o pós-modernismo faz a todo mundo: nós não devemos pensar que conhecemos qualquer verdade objetiva. Os pós-modernistas freqüentemente sugerem que toda opinião deveria receber igual respeito. E, portanto, numa visão superficial, o pós-modernismo parece movido por uma preocupação pela mente aberta para se chegar à harmonia e tolerância. Tudo soa muito caridoso e altruísta, mas o que realmente sublinha o sistema de crenças pós-modernistas é uma intolerância total por toda cosmovisão que faça alegações de qualquer verdade universal ­particularmente o Cristianismo bíblico.


Em outras palavras, o pós-modernismo começa com uma pressuposição que é irreconciliável com a verdade objetiva, divinamente revelada nas Escrituras. Da mesma forma que o modernismo, o pós-modernismo é fundamental e diametralmente oposto ao evangelho de Jesus Cristo.


pós-modernismo e a igreja
Não obstante, a igreja atualmente está cheia de gente que advoga idéias pós-modernistas. Alguns deles fazem isso consciente e deliberadamente, mas a maioria o faz sem querer (Tendo embebido demasiado do espírito dos tempos, eles estão simplesmente regurgitando opiniões do mundo). O movimento evangélico como um todo, ainda se recuperando de sua longa batalha contra o modernismo, não está preparado para um adversário novo e diferente. Muitos cristãos, portanto, não reconheceram ainda o perigo extremo colocado pelo pensamento pós-modernista.


A influência pós-modernista claramente já infecta a igreja. Os evangélicos estão baixando o tom da sua mensagem para que as rígidas alegações de verdades do evangelho não soem tão desagradáveis aos ouvidos pós-modernos. Muitos evitam fazer afirmações inequívocas de que a Bíblia é verdadeira e todos os outros sistemas religiosos do mundo são falsos. Alguns que se intitulam cristãos foram ainda mais longe, determinadamente negando a exclusividade de Cristo e abertamente questionando sua alegação de ser ele o único caminho para Deus.


A mensagem bíblica é clara. Jesus disse, "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). O apóstolo Pedro proclamou a uma audiência hostil, " ... não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12). O apóstolo João escreveu". quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36). Repetidas vezes as Escrituras enfatizam que Jesus Cristo é a única esperança de salvação para o mundo. " ... há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1Tm 2.5). Somente Cristo pode expiar pecados e, portanto, somente Cristo pode dar salvação. " ... o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida" (1Jo 5.11,12).


Essas verdades são contrárias à doutrina central do pós-modernismo. Elas fazem alegações de verdade exclusivas, universais, declarando ser Cristo o único caminho para o céu e errôneos todos os outros sistemas de crença. Isto é o que as Escrituras ensinam. É o que a igreja verdadeira tem proclamado ao longo de toda sua história. É a mensagem do Cristianismo. E simplesmente não pode ser ajustado para acomodar as sensibilidades pós-modernas. Em vez disso, muitos cristãos simplesmente vão passando por cima das alega­ções exclusivas de Cristo, debaixo de um silêncio constrangedor. Pior ainda, alguns na igreja — incluindo alguns dos mais conhecidos lideres evan­gélicos — começaram a sugerir que talvez o povo possa ser salvo fora do conhecimento de Cristo.


Os cristãos não podem capitular ao pós ­modernismo sem sacrificar a essência da nossa fé. A alegação da Bíblia de que Cristo é o único caminho da salvação está certamente em desarmonia com a noção pós-moderna de "tolerância", mas é, no final de contas, exatamente o que a Bíblia claramente ensina. E a Bíblia, não a opinião pós-moderna, é a autoridade suprema para o cristão. Somente a Bíblia deve determinar o que nós cremos e proclamar isso ao mundo. Nós não podemos abrir mão disso, não importa quanto o mundo pós-modernista reclame que nossas crenças fazem de nós pessoas "intolerantes".


tolerância intolerante
A veneração da tolerância pelo pós-modernista é uma característica óbvia, mas essa versão da "tolerância" é, na verdade, uma dis­torção perigosa da verdadeira virtude. Aliás, tole­rância nunca é mencionada na Bíblia como uma virtude, exceto no sentido de paciência, longanimidade e mansidão (ver Ef 4.2). De fato, a noção contemporânea de tolerância é um conceito pateticamente fraco comparado ao amor que as Escrituras ordenam aos cristãos que mostrem aos seus inimigos. Jesus disse, "amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam" (Lc 6.27,28; confira os versículos 29-36).


Quando nossos avós falaram de tolerância como uma virtude, eles tinham isso em mente. A palavra então significava respeitar as pessoas e tratá-las com bondade mesmo quando acreditamos que elas estão erradas, mas a noção pós moderna de tolerância significa que nós nunca devemos considerar a opinião de ninguém como errada. A tolerância bíblica é para as pessoas; a tolerância pós-moderna é para idéias.


Aceitar toda crença como igualmente válida dificilmente é uma virtude real, mas é praticamente o único tipo de virtude que o pós-mo­dernismo conhece. As virtudes tradicionais (incluindo humildade, domínio próprio e castidade) são abertamente zombadas e até mesmo consideradas como transgressões, no mundo do pós-modernismo.


Previsivelmente a beatificação da tolerância pós-moderna tem tido seus efeitos desastrosos sobre a verdadeira virtude em nossa sociedade. Nestes tempos de tolerância, o que era proibido passou a ser encorajado. O que era tido como imoral é agora festejado. Infidelidade marital e divórcio foram normalizados. Impureza é o lugar comum. Aborto, homossexualidade e perversões morais de todos os tipos são aclamados por grandes grupos e entusiasticamente promovidos pela mídia popular. A noção pós-moderna de tolerância está sistematicamente virando virtude genuína na cabeça deles.


Praticamente a única coisa a ser rejeitada pela sociedade como maligna é a noção simplória e politicamente incorreta que o estilo de vida, religião, ou perspectiva diferente de outra pessoa é incorreto. Uma exceção notável àquela regra se destaca claramente: os pós-modernistas aceitam a intolerância se for contra aqueles que alegam conhecer a verdade, particularmente os cristãos bíblicos. De fato, aqueles que se proclamam os advogados líderes de tolerância atualmente são freqüentemente os oponentes mais declarados do Cristianismo evangélico.


Basta dar uma olhada na Internet, por exemplo, e veja o que está sendo dito pelos autoestilizados campeões de tolerância religiosa. O que você vai encontrar é uma grande quantidade de intolerância pelo Cristianismo bíblico. Na verdade, alguns dos materiais mais amargos anticristãos na Internet podem ser encontrados em sites supostamente promovendo a tolerância religiosa!


Por que isso? Por que o Cristianismo bíblico autêntico depara com tal feroz oposição de pessoas que pensam ser modelos de tolerância? É porque as alegações de verdade das Escrituras e particularmente as alegações de Jesus de ser o único caminho para Deus — são diametralmente opostos às pressuposições fundamentais da mente pós-moderna. A mensagem cristã representa um golpe fatal à cosmovisão pós-modernista.


Mas se os cristãos se deixam enganar ou são intimidados a suavizar as alegações diretas de Cristo e a alargar o caminho estreito, a igreja não fará qualquer progresso contra o pós-modernismo. Nós precisamos recuperar a distinção do evangelho. Precisamos reconquistar nossa confiança no poder da verdade de Deus. E nós precisamos proclamar com ousadia que Cristo é a única verdadeira esperança para o povo deste mundo.


Isso pode não ser o que o povo quer ouvir neste tempo pseudo-tolerante do pós-modernismo, mas é verdade assim mesmo. E precisamente porque é verdade e o evangelho de Cristo é a única esperança para um mundo perdido é que é ainda mais urgente levantarmos acima de todas as vozes de confusão no mundo e dizer desta forma.


autor: Pr. John MacArthur Jr.
exto copiado de Bereianos - publicado inicialmente em: Eleitos de Deus